segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Lula e suas provocações ao PT



Durante toda a semana a imprensa brasileira deu destaque ao bom desempenho do candidato Fernando Haddad no segundo turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo.

Vencer o PSDB com boa margem de folga não foi nada mal para um candidato que no início enfrentou restrições dos próprios companheiros petistas quando Luiz Inácio Lula da Silva decidiu apostar todas as suas fichas em um nome novo.

Lula, com Fernando Haddad, mais uma vez confirmou que tem mesmo feeling político-eleitoral. Quando em 2010 ele bateu na mesa e enfiou Dilma goela abaixo dos petistas mais radicais, muitos apostavam que ele quebraria a cara apesar dos 86% de aprovação ao final do seu governo.

Ele estava certo. Conduziu o processo e Dilma triunfou sobre José Serra.

Agora, Lula abre novamente o guarda chuva sobre o seu pupilo, contrariando petistas que queriam um nome mais histórico, com mais pedigree, propagando um trololó sem fim de que o Haddad não era um bom nome e que dificilmente emplacaria.

Lula nem deu ouvidos.

Dias atrás, durante um almoço, uma militante da chamada linha dura do Partido dos Trabalhadores me disse que Haddad não tem a cara do PT das grandes mobilizações operárias e foge aos princípios da corrente marxista que é, em tese, a bíblia dos companheiros petistas mais conservadores. Disse mais: Haddad tem a cara da elite paulista: cabelo bem cortado, roupa de grife, pele bem cuidada e carinha de bebê, condições que poderiam facilitar e justificar seu crescimento nas pesquisas em São Paulo.

E daí? Já foi a época em que para ser petista tinha que ter barba crescida.

Lula tem sim todos os méritos na surpreendente campanha de Fernando Haddad. Não que Serra seja um bicho papão, apesar de sua aparência dizer que sim. José Serra é um nome desgastado e seu partido tem mil problemas internos, com tucanos se digladiando para ver quem tem fôlego para chegar vivo e com todas as penas e bicos em 2014.

Nesse contexto Lula faz o jogo certo, mexe as pedras como verdadeiro mestre no tabuleiro da política. Porém, o gigantismo do PT, pode ser um obstáculo de difícil transposição, se dona Dilma não arregaçar as mangas e entrar fundo nas questões essenciais como reforma política, reforma administrativa e fiscal.

Afinal 2014 já é amanhã.

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