Reinaugura-se a nova Rui Barbosa.
A nossa Praça. A Praça de nossa gente. De todos os araçatubenses.
Está bonita e moderna. E de encher os olhos!
Ah! Até entendo aqueles que gritaram, criticaram, apostaram no “não vai dar certo”. Eles erraram: deu certo.
A Praça está linda! E nos enche de orgulho.
O poeta Rui deve estar feliz com seu novo espaço.
A Praça do Boi já foi contada em versos e prosas, e ainda simboliza os áureos tempos das boiadas, da poeira e das estradas.
Ela simboliza as manhãs das conversas entre os fazendeiros definindo o preço do boi e da carne no mercado brasileiro e no exterior.
Ainda me lembro bem, apesar de muito garoto, que no radinho de pilha de papai, no “Repórter Esso - Testemunha Ocular da História”, todas as noites ouvia Heron Domingues dizendo: “hoje a arroba do boi foi negociada, em Araçatuba, em 47 cruzeiros”.
As negociações dos Maia, Cintra, Rezek, Bernardes, Borges, Menezes, Lemos, Aguiar, Geralde, Torres Homem, Alfredinho e tantos outros tinham força no mercado. As manhãs na Rui Barbosa tinham grande importância na definição do mercado de carnes. Uma espécie de Bovespa caipira.
Não tinha a força de uma atual Nasdaq. Nem poderia ter, sem a modernidade de hoje.
Se pela manhã a Praça era dos pecuaristas, cercada por algumas dezenas de bancos (Brasil, Mercantil, América do Sul, Comércio e Indústria, Brasileiro, Banco de São Paulo, Banespa, Caixa Econômica, Estado de São Paulo e tantos outros), local onde os fazendeiros ditavam o preço do boi e da carne, ao cair da noite ela virava o “senadinho”. A Praça e seus bancos eram ocupados por políticos escolados, por iniciantes e aprendizes na arte de fazer política.
João Rezek, Nelsinho Reis Alves, Genilson Senche, Sérgio Alves Pinto, Avelino Algarte, Vanderlino de Souza, Jorge Bernaba, Ferreirinha, Jeremias Alves Pereira, Hélio Pereira de Souza, Líbero Bezerra de Lima, Otacílio Venâncio, Barretinho e o elegante Elízio Gomes de Carvalho –com seus indefectíveis ternos bem cortados – batiam ponto por ali para saber das últimas do dia: informações sempre interrompidas para um cafezinho no bar Pacaembu ou uma boa carne no Boi na Brasa, dos irmãos Quessa.
Numa única noite elegiam ou derrubavam políticos da cidade.
Bons tempos...
A Praça mudou. Ganhou novos ares, está mais colorida. A fonte – depois de muitos anos – voltou a funcionar com seus jatos d´água que sobem e caem como milhares de gotas brilhantes, mais parecendo uma cascata de pérolas.
Cido Sério escreve seu nome nessa história de mais de um século, dando a Araçatuba uma nova Praça Rui Barbosa, mais moderna, é verdade. Porém, mantém ainda o glamour que encantou tantas gerações e embalou tantos namoricos.
A Praça certamente não terá mais, nas noites de domingo, a Orquestra do maestro Brandino. Mas, quem sabe, numa dessas noites, possamos encontrar por lá o maestro Cid Frota com sua Orquestra Municipal de Sopros Bruno Zago executando belas canções.
E que os carrinhos de pipoca e os vendedores de balões também possam dar ainda mais colorido à Praça, exalando o cheiro irresistível de uma pipoca quentinha.
Quem sabe, também, não encontraremos com alguns dos velhos pecuaristas circulando por lá com seus chapelões e um cigarro de palha, saudosos de tantos amigos que já se foram.
Ou mesmo um dos velhos caciques da política enaltecendo o bom trabalho do prefeito Cido. Quem sabe...
Mas, o bom mesmo, é que neste domingo tem festa na Praça e ela volta ser do povo, como cantou Caetano com a recomendação:
“ Mete o cotovelo e vai abrindo caminho / pega no meu cabelo pra não se perder e terminar sozinho/O tempo passa, mas na raça eu chego la/ ´É aqui nesta praça que tudo vai ter que pintar”
